segunda-feira, 8 de junho de 2009

II Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja

João Soalheiro, director do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja revelou que, nos próximos dias 17 e 18 de Junho, Braga vai acolher o II Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja, dedicado, como o primeiro, aos arquivos da Igreja. Memória das comunidades ao serviço da sociedade será o título deste II Conselho. O anúncio foi feita no âmbito do II Fórum de Arquitectura Religiosa, promovido pela Turel em que a construção, conservação e restauro do património religioso foram os temas abordados.

domingo, 7 de junho de 2009

Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa comemora dois anos de voluntariado

No passado dia 6 de Junho, o Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa comemorou dois anos da presença de voluntariado na instituição com um passeio cultural e almoço na zona de Dois Portos-Sobral de Monte Agraço.
Iniciado a 28 de Maio de 2007 no Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa, este grupo de voluntariado foi crescendo ao ritmo do tempo e vê-se agora integrado nas dinâmicas do Centro Cultural. A eles se deve grande parte do sucesso e do trabalho desenvolvido em torno do património documental da diocese.
Acolhidos pelo Fernando Belchior na quinta que possui na zona, o programa teve o seguinte desenvolvimento:
  • 9h30 – Encontro na Igreja Paroquial de São Pedro de Dois Portos e visita ao templo. Visita à igreja de Nossa Senhora da Purificação do Sirol. Visita à Ermida de Nossa Senhora dos Milagres. Visita à igreja de S. Quintino.
  • 13h – Eucaristia presidida por D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos na Ribeira de Maria Afonso.
  • 13h45 – Almoço na Quinta da Ribeira.


Os que não poderam comparecer estiveram no pensamento de todos os que se reuniram.
Um especial obrigado ao Fernando que nos proporcionou este dia.
A todos (árvores dedicadas) dedico este poema do Daniel Faria:
Procuro o lento cimo da transformação
Um som intenso. O vento na árvore fechada
A árvore parada que não vem ao meu encontro.
Chamo-a com assobios, convoco os pássaros
E amo a lenta floração dos bandos.
Procuro o cimo de um voo, um planalto
Muito extenso. E amo tanto
A árvore que abre a flor em silêncio.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Serviço de Arquivo Histórico e Biblioteca do Patriarcado de Lisboa: Uma estrutura em prol do património documental da diocese


“Anjos e Demónios” filme recentemente estreado e inspirado no best-seller homónimo de Dan Brown, não obstante as críticas que têm sido veiculadas e do seu tom velozmente hollywoodesco, apresenta virtuosismos no que concerne à sensibilização para o vasto e valioso património documental da Igreja e do seu farto contributo, mutatis mutandi, para a história da humanidade. Ao visionar a película, o espectador é confrontado com duas visitas dos protagonistas ao Arquivo Secreto do Vaticano e depara-se com um quadro de alta sofisticação técnica colocada ao serviço da manutenção e salvaguarda do património documental. Os depósitos da documentação são câmaras isoladas com baixos níveis de oxigénio, alarmes e sensores de tudo e mais alguma coisa. Pese embora o nosso desconhecimento in situ dos depósitos de arquivo da Santa Sé, certamente não dispõem de todo o aparato técnico representado no filme. Contudo, e sem pretendermos cair na apologia utópica deste tipo de estruturas para a salvaguarda e conservação do património documental, não podemos deixar de nos sentir motivados para a necessidade e urgência que se coloca ao cabal tratamento dos nossos documentos.

A Igreja Católica é, em verdade, depositária de um extenso património documental passível de gerar perplexidades quando urge o seu tratamento. Há cerca de um ano, João Soalheiro, director do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, estimava em 500 mil metros lineares a documentação produzida e acumulada pela Igreja em Portugal. Aliado este volume documental aos custos inerentes a um processo moroso e com exigências técnicas e humanas específicas, acreditamos que os responsáveis pelas várias estruturas vacilem entre as sugestões de um “anjo” que lhes diz que vale a pena apostar em organizar os arquivos e um “demónio” que os convence de que o melhor é deixar estar como está, pois não advêm daí resultados visíveis e imediatos.
Na Diocese de Lisboa, o serviço desenvolvido em torno do património documental, embora com alinhamentos estratégicos e enquadramentos organizacionais diferentes, remonta há alguns anos. Em 1972, o Cón. Isaías da Rosa Pereira publicou na «Lusitania Sacra» um «Inventário Provisório do Arquivo da Cúria Patriarcal de Lisboa». Em 1993, D. António Ribeiro, reconhecendo que o património documental continua incessantemente a enriquecer-se por força da acção pastoral que todos os dias se vai desenvolvendo nas estruturas da Igreja, decretou a instituição do Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa com a competência de recolher, conservar e ordenar a documentação à sua guarda, facultá-la à investigação e velar pela organização dos arquivos das paróquias. No ano 2000, fruto dos trabalhos de estágio do curso de arquivística religiosa promovido pelo Centro de Estudos de História Religiosa, é elaborado o recenseamento prévio de parte da documentação existente em depósito. Em 2006, por estímulo de D. Carlos Azevedo, Bispo-Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, são desenvolvidos esforços para que este serviço da diocese seja dotado de uma equipa estável com capacidade para gerir os trabalhos de forma sistemática, recorrendo ao mecenato e apoio de voluntários. Foi neste contexto que o Serviço de Arquivo Histórico e Biblioteca, integrado recentemente no Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa, se dotou de um corpo técnico consolidado e uma equipa de voluntários que têm desenvolvido actividade multifacetada: constituição e organização da biblioteca e sala de leitura; limpeza e organização de várias séries documentais; organização e descrição do arquivo do Cardeal Cerejeira; incorporação e organização de arquivos paroquiais, com destaque para os arquivos das Paróquias de Santo Estêvão e S. Miguel de Alfama que acolheram o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros.
Na linha do quem sido o trabalho desenvolvido, é objectivo deste serviço da diocese:


  • recolher, conservar, preservar, seleccionar, tratar e difundir a documentação que, pela sua natureza e valor, se revista de interesse histórico para a diocese, obrigando à sua conservação definitiva;

  • actuar na promoção do património documental da diocese, a fim de o inserir e transmitir nos circuitos vitais da acção cultural e pastoral;

  • proceder ao tratamento arquivístico de toda a documentação reunida, segundo as normas nacionais e internacionais em vigor, e elaborar instrumentos de descrição (guias, inventários, catálogos, índices);

  • colaborar e apoiar a realização de estudos por parte de investigadores internos e externos, sobre temas ligados à história do Patriarcado, em particular, e à história da Igreja em Portugal, em geral;

  • cooperar com todos os departamentos e sectores da diocese em actividades ou manifestações de carácter pastoral, cultural, científico ou técnico que dignifiquem e sirvam os interesses da diocese.

A inviabilidade em dotar serviços da Igreja com um aparato técnico-científico, simulacro do exibido na película citada, não pode ser factor para um descomprometimento com a memória das comunidades cristãs. Para uma digna conservação dos documentos basta, muitas vezes, cuidados básicos de higiene das salas e correcto acondicionamento.
Na medida em que os documentos contêm testemunhos claros de uma marca genética que nos identifica como membros destes corpo que é Igreja, apelamos aos que tiverem disponibilidade e gosto em colaborar, em regime de voluntariado, que nos contactem através do Tel: 218810500 ou E-mail: r.aniceto.ccultural@patriarcado-lisboa.pt

Publicado em Voz da Verdade, 31-05-2009.

Nova edição dos documentos vaticanos sobre procedimento contra Galileu


O Arquivo Secreto Vaticano publicará uma nova edição dos documentos do Vaticano sobre o procedimento contra Galileu, no final deste mês de junho. Esta contribuição decisiva na celebração do Ano Internacional da Astronomia esteve a cargo do prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, o bispo Sergio Pagano, segundo informa a edição italiana diária de L’Osservatore Romano desta sexta-feira. A nova edição está determinada pelo maior conhecimento dos personagens que intervieram no processo ao astrônomo, segundo Dom Pagano, “todos especificados nas notas e muitos deles inquisidores”. Incorpora, além de todas as cartas do processo, 20 novos documentos encontrados no Santo Ofício desde 1991, comentários críticos a vários documentos que requerem uma edição fiel à original e uma ampla introdução histórica sobre as circunstâncias que levaram à instrução e desenvolvimento do processo. A nova edição do volume I dos documentos vaticanos do processo de Galileu Galilei tem 550 páginas e 1.300 notas. Com relação ao processo contra Galileu, Dom Pagano opina que “a atitude dos teólogos podia ter sido mais compreensiva e flexível”. “Entendendo que os tempos históricos não eram suficientemente maduros para receber as pesquisas científicas do grande estudioso de Pisa, é inegável que neste assunto foram cometidos diversos erros, também por parte do próprio Galileu”, declarou. O bispo explicou que em uma cultura dominada pela visão ptolomaica, que considera que a terra é o centro do universo, o sistema copernicano “vinha contradizer sistematicamente a Escritura, então letra sem interpretação”. Dom Pagano também destacou a “firme e resoluta decisão de Urbano VIII de querer o processo e a condenação confiando as cartas e os estudos de Galileu ao crivo de estudos limitados e nem sempre à altura”. “Entre os jesuítas – que permaneceram fora do processo – não teriam faltado atitudes dispostas a ser mais indulgentes com os estudos do astrônomo de Pisa”, acrescentou. O Papa João Paulo II reconheceu os erros da Igreja no processo de Galileu em 31 de outubro de 1992, em um discurso aos membros da Pontifícia Academia das Ciências. “Como a maioria de seus adversários, Galileu não distingue entre a aproximação científica dos fenômenos naturais e a reflexão filosófica sobre a natureza, que é o que se requer normalmente”, recordava então o pontífice. “Por isso, ele rejeitou a sugestão de apresentar como uma hipótese o sistema de Copérnico até que não fosse confirmado com provas irrefutáveis – destaca o Papa. Aquela medida era uma exigência do método experimental do qual ele foi o genial iniciador.”E explica: “o problema que os teólogos da época encontraram era a compatibilidade entre o heliocentrismo e a Escritura”. “Desta maneira, a ciência nova, com seus métodos e liberdade de investigação, obrigou os teólogos a interrogar-se sobre seu critério de interpretação – prosseguia. A maior parte não sabia fazê-lo.”E acrescentava: “Paradoxalmente, Galileu, crente sincero, mostrou-se neste ponto mais perspicaz que seus adversários teológicos”.


Redacção: Zenit

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sem a Igreja Católica não existiria património bibliográfico português.


No I Encontro Nacional sobre as bibliotecas e o livro em instituições eclesiásticas, iniciativa do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, que decorre hoje, 28 de Maio, no Seminário de Maior de Coimbra, Fernanda Campos, actual adjunta da direcção da Biblioteca Nacional de Portugal, considera que sem a acção da igreja católica em Portugal não existiria património bibliográfico nacional.
Numa conferência sobre a valorização do livro na sociedade da informação, a oradora traçou o que foi, historicamente, o contributo de livrarias ligadas a ordens religiosas para a constituição do património bibliográfico português. Fruto da actividade da Igreja, nomeadamente pela mão das ordens religiosas (S. Bento, Cister e Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), constitui-se um património herdado do norte ao sul do País, ilhas, Brasil, Macau, em que são de salientar as grandes livrarias do Mosteiros de Tibães, Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra, mas também outras mais pequenas, mas relevantes, como as do Convento da Graça de Lisboa e Mosteiro de São Vicente de Fora.
Património que urge defender, tem na Sociedade da Informação uma oportunidade para a sua valorização. A oradora apresentou as vantagens da tecnologia de digitalização para a comunicação e preservação das colecções: o acesso universal em rede; a integração de conteúdos vários e dispersos e a preservação dos originais. Adiantou também que a Biblioteca Vaticana foi pioneira nesta linha, ainda as Bibliotecas Nacionais dos diferentes países estudavam soluções de digitalização. Em projectos que têm de ser muito bem estruturados do ponto de vista dos seus objectivos, prioridades de actuação e questões legais relacionadas com os direitos de autor, a cooperação mostra-se fundamental para a partilha de custos, melhoria da aprendizagem, aumento de conteúdos, melhor acesso a fontes de financiamento e maior visibilidade dos resultados.

Conservar e salvaguardar o Património Cultural

Nos dias 29 e 30 deste mês realizar-se-ão as II Jornadas da ARP - Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal - sobre tratamentos de Conservação e Restauro e intituladas «A Prática da Teoria». Esta iniciativa será no auditório do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
Têm como objectivo debater o papel do conservador-restaurador no estudo e salvaguarda do Património Cultural e divulgar e discutir teorias, metodologias e tratamentos de Conservação e Restauro efectuados por sócios da ARP.
Os principais destinatários das jornadas são os sócios da ARP, conservadores-restauradores, historiadores da Arte, museólogos, profissionais ligados ao Património Cultural e estudantes.
Para mais informações, consulta do programa e ficha de inscrição em http://www.arp.org.pt/

Redacção: Agência Ecclesia

sexta-feira, 22 de maio de 2009

História da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e Senhor Jesus dos Passos da Santa Via Sacra



"Percursos de uma Irmandade: 300 anos de História" é o título de uma exposição patente na igreja de Santo António de Campolide, em Lisboa, em que se traça a História da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e Senhor Jesus dos Passos da Santa Via Sacra, sedeada nessa mesma igreja.
Fundada em 1718, no antigo convento lisboeta de Santa Joana, pertencente à Ordem Dominicana, a Irmandade acabaria por se manter na igreja conventual após a extinção da comunidade religiosa, transitando, em 1938, ultrapassados os difíceis tempos da República, para a igreja do antigo Colégio jesuíta de Campolide.
A Exposição propõe um itinerário por esta história, entre reproduções documentais e fotográficas e montagens audiovisuais, desde os tempos da sua fundação até ao presente, onde a revitalização da Irmandade, com novos estatutos desde o ano 2000, se cruza com o drama da degradação da actual igreja onde se encontra, reivindicada pelo Estado português como sua propriedade.
A exposição foi inaugurada dia 20 de Maio, pelas 19h30, permanecerá aberta ao público até 7 de Junho.

Informações:
Paróquia de Santo António de Campolide
tel. 21 388 53 68: dias úteis, 15h00 - 19h00; sábado - 10h00-13h00)
FONTE: AGÊNCIA ECCLESIA

quinta-feira, 21 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

I Encontro Nacional sobre as bibliotecas e o livro em instituições eclesiais

No próximo dia 28 de Maio, no Seminário Maior de Coimbra, realiza-se o I encontro sobre as bibliotecas e o livro em instituições eclesiais. Iniciativa do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, o programa desenvolve-se em torno de temáticas relacionadas com a valorização do livro na Sociedade da Informação, questões essenciais de conservação do livro e desafios técnicos.

Programa
09H30 - Acolhimento
Recepção dos participantes e distribuição de materiais

10H00 Abertura
D. Albino Cleto - Bispo de Coimbra e Vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais
Dr. João Soalheiro - Director do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja

Primeira sessão
Valorização do Livro na Sociedade da Informação
Dr.ª Fernanda Campos - Biblioteca Nacional de Portugal
Pausa

11H30 - Segunda sessão
Questões essenciais de Conservação do Livro
Dr.ª Francisca Figueira - Departamento de Conservação, Instituto dos Museus e da Conservação Dr. Vasco Antunes - Conservador-Restaurador

13H00 Almoço (Espaço Justiça e Paz)

14H30 Visita Biblioteca do Seminário Maior de Coimbra
Pe. José Eduardo Reis Coutinho - Coordenador do Departamento dos Bens Culturais da Igreja, Diocese de Coimbra
Biblioteca do Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra
Pe. Manuel Ferrão - Vice-Reitor do Seminário Maior de Coimbra

15H30 - Terceira sessão
Desafios técnicos
Módulo A: Livro Antigo: Aspectos fundamentais do seu tratamento técnico
Dr.ª Maria da Graça Pericão - Biblioteca da Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra
Dr.ª Isabel Faria - Universidade de Coimbra
Módulo B: Disponibilização dos documentos: oportunidades e desafios
Dr. Fernando Antunes Vajá - Universidade Católica Portuguesa
Dr. Alfredo Magalhães Ramalho - Biblioteca Universitária João Paulo II, Universidade Católica Portuguesa

17H00 Encerramento
D. Carlos A. Moreira Azevedo - Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa e Vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais


Preço: 25 euros com almoço incluído
Inscrições:
Cheque à ordem de Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja
Quinta do Cabeço-Porta D
1885-076 Moscavide
Informações: bensculturais@ecclesia.pt

terça-feira, 12 de maio de 2009

Papa Pio XII e a Shoá


Segundo o Público de hoje (notícia abaixo), 12 de Maio de 2009, o Papa Bento XVI terá ordenado o acelarar do tratamento arquivístico das fontes documentais do Pontificado de Pio XII.
Acusado por algumas facções de não ter tomado posição face ao holocausto, a abertura deste espólio à comunidade científica, poderá clarificar a posição e actuação do Pontífice.

Ordem para acelerar tratamento dos arquivos sobre Pio XII
12.05.2009
Bento XVI deu ordens expressas para acelerar a catalogação dos arquivos do Vaticano II sobre Pio XII, que liderou a Igreja Católica durante a II Guerra e cujo papel na época é objecto de controvérsia. A revelação de novos documentos pode entretanto mudar a perspectiva de um Papa Pacelli silencioso perante o Holocausto, admitem responsáveis do Yad Vashem. A notícia da catalogação foi dada ao PÚBLICO por Yael Orvietto, historiadora do Yad Vashem. O problema da abertura e tratamento dos arquivos da época tem sido colocado em questão por vários historiadores - incluindo da área católica. "Quando se abrirem, a questão poderá ser encarada de outra maneira", diz Orvietto. Quinta-feira, o director do Yad Vashem afirmou que a instituição recebera documentos do Vaticano que poderiam alterar a percepção comum de um Pio XII silencioso sobre o Holocausto. Citado pela AFP, Avner Shalev referiu documentos que mostram ordens do Papa a um convento para acolher judeus perseguidos. Se estes "virem a luz do dia, isso fornecerá uma nova luz" e poderá levar a uma "profunda mudança da nossa percepção" do papel de Pio XII, afirmou. Um congresso em Roma, em 2006, concluíra já que pelo menos 4300 pessoas foram salvas depois de se refugiarem em 133 casas católicas, obedecendo a instruções de Pio XII. "A Santa Sé encorajou o acolhimento dos judeus e a maioria das casas abriu as portas perante esta absurda injustiça", afirmara a religiosa e historiadora Grazia Lopaco.No Museu Histórico do Yad Vashem, mantém-se a referência ao papel ambíguo de Pio XII durante a Shoah. "Reflecte o estado da pesquisa até há poucos anos", explica Yael Orvietto.A historiadora do Yad Vashem destaca o actual bom momento de relações entre o Memorial do Holocausto e o Vaticano. "O processo de diálogo tem permitido fazer novos aprofundamentos para nos avizinharmos cada vez mais da verdade histórica. Pio XII é uma figura controversa e falta rever e analisar muitos aspectos."Catalogar os arquivos abertos pode levar dois a cinco anos, admite Orvietto. "Será uma pesquisa extremamente importante." Para a historiadora, é crucial aprofundar o que Pio XII fez e avaliar historicamente se a sua estratégia terá sido a mais adequada. Mas "muitas perguntas permanecerão."No Yad Vashem, mais de 7500 árvores recordam os nomes dos "justos" que ajudaram a salvar judeus. E o de Pio XII poderá um dia ser acrescentado nesse jardim? "Se houver apresentadas provas para isso, com certeza que seria pensado", admite Orvietto. Mas é prematura, para já, uma resposta definitiva à pergunta. A.M.

500 anos da Fundação do Mosteiro da Madre de Deus


Com o objectivo de comemorar os 500 Anos da Fundação do Mosteiro da Madre de Deus, o Museu Nacional do Azulejo vai realizar, ao longo de 2009, diversas actividades que se iniciam com a Conferência “Casa Perfeitíssima”.


Museu do Azulejo - Dia Internacional dos Museus


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Exposição documental no Convento do Louriçal

Segundo notícia do Diário de Leiria (08-05-2009), foi inaugurada, no sábado passado, uma exposição documental na Igreja do Recolhimento, no Louriçal, no âmbito das comemorações dos 300 anos da Fundação do Convento. Entitula-se a mostra: "Convento do Louriçal - Três séculos de História (1709-2009)"

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Patriarcado de Lisboa adquire manuscritos


O Serviço de Arquivo Histórico e Biblioteca do Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa passa a dispôr de mais três manuscritos recentemente adquiridos em leilão no Palácio do Correio Velho. Provenientes da colecção António Capucho passam a estar disponiveis aos investigadores os seguintes títulos:


  1. COMPROMISSO da Irmandade de Nossa // Senhora da Purificação sita na ygreja ma-// triz da Villa de Aldea Galega ins-// tituida pellos homens traba -// -lhadores moradores // & estantes na di-// ta villa.// 1607.

  2. LIVRO// DO REGULAMENTO DE TODAS AS // MISSAS, CAPELLAS E ANNIVERSARIOS // e mais Legados pertencentes ao Real// Mosteiro de S. Vicente a que hoje// este de Mafra he obrigado a Satisfa// zer conforme o Ex. Snr. Nuncio por// sua Sen[tenç]a as reduziu, commotou, e es// tabeleceu em virtude do Breve de// 1786 do S. P. Pio PP. VI// ainda Reinante na Igreja de De// os neste anno de// 1788.

  3. COMPROMISSO DA IRMANDADE DAS ALMAS DO PURGATÓRIO DE NOSSA SENHORA DA SUMPÇAM DOS OLIVAIS. Olivais, 1662. (Imagem acima)

Jornada sobre Arquivos de Familia

O Instituto de Estudos Medievais e o Centro de História de Além-Mar, da FCSH-UNL , com a colaboração da Direcção Geral de Arquivos promovem no próximo dia 20 de Maio, uma jornada sobre arquivos de familia.
Nas palavras dos organizadores "O presente encontro, inserido num projecto plurianual mais vasto de investigação científica sobre o tema, pretende ser um primeiro contributo neste sentido, reunindo arquivistas, historiadores e proprietários de arquivos de família para debater este assunto de interesse comum e para definir vias de colaboração futura.

PROGRAMA

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa inaugura exposição de escultura


A partir de amanhã, dia 28 de Abril, e até ao final do mês de Maio, estará patente no espaço museológico do Mosteiro de São Vicente de Fora, uma exposição de escultura denominada Esculturas para Tocar. Iniciativa do Serviço de Museus e Exposições do recém-criado Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa e do escultor Alfonso Salas, a mostra é composta por 30 peças feitas e seleccionadas pelo autor. Inspira esta exposição um conceito diferente de abordar a escultura como obra de arte. “Pode-se tocar”, é o convite para acompanhar esta mostra de peças executadas em matérias-primas várias (madeira, bronze, pedra, poliéster). No endereço http://www.salasesculturas.com/ pode ser conhecida a obra deste escultor.


Nota biográfica:

Alfonso Salas é monge dominicano. Nasceu em Castrillo de la Reina, província de Burgos, Espanha, no dia 2 de Agosto de 1939. Em 1952 ingressou na Ordem Dominicana tendo completado a sua formação teológica em 1966. De 1968 a 1973 estuda Belas Artes, variante escultura, na Escola Superior de Belas Artes de San Fernando, em Madrid.

Além das funções sacerdotais, dedica o seu tempo ao trabalho artístico, contando com 47 exposições individuais em Espanha e no estrangeiro. Mais informações em http://www.salasesculturas.com/arte/biograf-a-2.html

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mecenas e Patronos - A Encomenda Artística e a Igreja em Portugal - III Ciclo de Conferências para o Estudo dos Bens Culturais da Igreja


De 28 a 30 de Maio de 2009, no auditório 2 da Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, o Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa promove o III Ciclo de Conferências para o estudo dos bens culturais da igreja.
Com o Alto Patrocínio de S. Ema., o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, este ciclo de conferências desenvolve-se em torno da encomenda artística em Portugal, seus mecenas e patronos.



domingo, 29 de março de 2009

Igreja da Misericórdia da Nazaré - Exposição Documental

A Biblioteca Municipal da Nazaré acolhe até 5 de Abril uma exposição documental sobre a Igreja da Misericórdia. Situada no Largo da Misericórdia, foi, de início, uma pequena capela que serviu para albergar a Irmandade da Misericórdia da Pederneira cuja data de instituição remonta a 1561 e cuja cuja função era administrar o Hospital da Pederneira.

A exposição, que irá ficar patente no novo edifício da Biblioteca Municipal da Nazaré até 5 de Abril, foca a relevância desta Igreja no crescimento social, económico e religioso da Pederneira bem como da vila da Nazaré.

quarta-feira, 18 de março de 2009

III Curso Livre de História da Arte Religiosa


No próximo dia 1 de Abril, o Serviço de Investigação e Promoção Cultural do Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa vai dar início ao III Curso Livre de História da Arte Religiosa. Depois da Iconografia Cristã e do curso sobre as Alfaias Litúrgicas, o tema deste III Curso centra-se na Imaginária Religiosa em Portugal.
Destinado a todo o público interessado nesta temática, o, programa do curso procura ser uma resposta a uma síntese que é necessário fazer: um estudo sistematizado sobre a imaginária religiosa nas várias regiões do país bem como a sua influência e presença noutros países.
Conta com um vasto leque de investigadores que orientarão as 8 sessões programadas.
As informações poderão ser pedidas ao Centro Cultural do Patriarcado, no Mosteiro de São Vicente bem como através do email cursoimaginaria@netcabo.pt.
No endereço bensculturais-patriarcadolisboa.blogspot.pt encontrará um link que remete para o novo endereço onde se encontram todas as informações em pormenor bem como as fichas de inscrição.

Os Arquivos da Igreja: memória e identidade

Cuidar os arquivos da Igreja pode parecer um contra-senso, uma ausência de prioridades, em estruturas em que a pastoral é o seu múnus por excelência, em que a união com Cristo é a sua missão fundamental (Lumen Gentium, 3).
Acresce a este facto, um tempo marcado pela afirmação de um modo de estar em sociedade centrado no usufruto imediato de bens e numa lógica do lucro, tendo por consequência o actual quadro económico e financeiro em que as pessoas têm de ser a prioridade por excelência. Neste aspecto, e no quadro da sua missão caritativa, a Igreja teve e tem um papel fundamental. Qual será, então, a importância dos arquivos da Igreja? Em que aspectos, e sobre que fundamentos, se poderá dizer que urge preservá-los e enquadrá-los numa pastoral da Cultura?!
A novidade do Cristianismo, realidade vivida em Cristo que se faz presença continuada na história da humanidade, faz-nos perceber que a Fé, dimensão plena de beleza e mistério, é perpassada pelo testemunho de homens e mulheres que, na sua acção e testemunho, foram Cristo para os outros. A importância pastoral dos arquivos radica no facto de eles serem o lugar de memória das comunidades cristãs e de terem a particularidade de registar o percurso feito pela Igreja ao longo de séculos, em cada uma das realidades que a compõem, cultivando a memória da sua vida e dando eco da sua dimensão evangelizadora. Como diria Paulo VI, nos arquivos eclesiásticos são conservados os traços do transitus Domini na história dos homens.
Coincidindo no reconhecimento da importância do património histórico-cultural da Igreja enquanto repositório das fontes do desenvolvimento das comunidades cristãs, nas suas acções de carácter litúrgico e sacramental, educativo e assistencial, realizadas ao longo dos séculos e ainda hoje actuantes; e no reconhecimento da importância e necessidade da transmissão enquanto memória da evangelização e instrumento de pastoral, ousemos descobrir-nos nesta radicalidade de procurarmos ser, de há dois milénios para cá, rostos de Cristo. Na verdade, uma instituição que esquece o próprio passado, dificilmente consegue configurar a sua função entre os homens dum determinado contexto social, cultural e religioso. Nesse sentido, os arquivos, conservando os testemunhos das tradições religiosas e da praxis pastoral, têm uma intrínseca vitalidade e validade. Eles contribuem de maneira eficaz para fazer crescer o sentido da pertença eclesial de cada uma das gerações (Cf. IGREJA CATÓLICA. Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja – Os Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Paulinas, 2000, p.79.).
E se é verdade que a expressão da fé através da cultura e de uma cultura que ilumina a fé é um campo que avança lentamente, também é verdade o que nos disse João Paulo II ao referir que uma fé que não se transforma em cultura é uma fé mal assumida, mal compreendida e não completamente vivida.
Sejamos capazes e audazes de actuar junto do nosso património documental para testemunharmos, com propriedade, esta dimensão que perpassa a nossa história e identidade: a nossa vocação de Filhos de Deus.

Publicado na edição do Jornal Voz da Verdade de 15 de Março de 2009